Julho Verde 2026 mobiliza especialistas para ampliar a conscientização sobre a doença na região da cabeça e pescoço, que já é a terceira mais incidente no Brasil
O Brasil registra cerca de 40 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) com base em estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar dos avanços nos tratamentos, entre 70% e 80% dos pacientes ainda recebem o diagnóstico em estágios avançados da doença, reduzindo as chances de cura e tornando o tratamento mais complexo.
Os números ganham destaque durante o Julho Verde 2026, campanha mundial de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, que neste ano adota o tema “From Awareness to Action: One World, One Voice Against Head & Neck Cancer” (“Da Conscientização à Ação: Um Mundo, Uma Voz Contra o Câncer de Cabeça e Pescoço”). A proposta é incentivar a população a transformar informação em atitude, buscando avaliação médica diante dos primeiros sinais da doença.
De acordo com a SBCCP, o câncer de cabeça e pescoço é atualmente o terceiro mais comum do Brasil. O grupo reúne tumores que acometem regiões como boca, língua, garganta, laringe, faringe e tireoide. A maior concentração de casos ocorre na Região Sudeste, responsável por aproximadamente 20.470 diagnósticos por ano, seguida pelo Nordeste, com cerca de 10.070 ocorrências anuais.
Segundo a Dra. Sílvia Picado, médica especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Diretora Social da APM Santos, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios no enfrentamento da doença.
“Muitos pacientes ignoram sintomas aparentemente simples, como rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam ou nódulos no pescoço. Quando procuram atendimento, em muitos casos a doença já está avançada. O grande objetivo do Julho Verde é mudar essa realidade”, afirma.
Os principais fatores de risco continuam sendo o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, responsáveis por grande parte dos tumores da cavidade oral, garganta e cordas vocais. A infecção pelo HPV também está relacionada ao aumento dos casos de câncer de orofaringe, enquanto a exposição solar sem proteção representa um fator importante para o desenvolvimento do câncer de pele dessa região tão frequentemente exposta, inclusive de lábios.
“Grande parte desses casos pode ser evitada com mudanças de hábitos. Abandonar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, realizar a vacinação contra o HPV, usar protetor solar, manter uma boa higiene oral, dieta saudável, realizar exercícios físicos e buscar acompanhamento médico diante de sintomas persistentes são atitudes fundamentais”, explica a médica.
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas na cavidade oral, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir, alterações na respiração e nódulos persistentes no pescoço.
A especialista ressalta que o diagnóstico precoce pode elevar significativamente as chances de cura. “Quando identificada nas fases iniciais, a doença pode alcançar índices de cura superiores a 90%, além de permitir tratamentos menos agressivos e com menor impacto na qualidade de vida do paciente.”
Embora técnicas modernas como monitorização de nervos, laser, instrumentos ultrassônicos e até cirurgia robótica tenham ampliado a eficácia dos tratamentos, os especialistas reforçam que a melhor estratégia continua sendo a prevenção e o diagnóstico precoce.
Neste contexto, o tema da campanha mundial de 2026 reforça uma mensagem simples: conscientizar é importante, mas agir diante dos sinais da doença pode salvar vidas.