Clara Laface analisa como linguagem, posicionamento e percepção de autenticidade impactam a conexão entre lideranças e o público jovem
Dados recentes indicam um distanciamento significativo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o público jovem. Levantamento da AtlasIntel/Bloomberg aponta que cerca de 72% dos brasileiros entre 16 e 24 anos desaprovam sua gestão, evidenciando um desafio específico de conexão com a Geração Z. O cenário reforça uma tendência mais ampla: a relação entre lideranças tradicionais e uma geração que consome informação de forma dinâmica, descentralizada e altamente sensível à autenticidade.
Para a consultora em posicionamento de marca pessoal, Clara Laface, esse distanciamento pode ser explicado, antes de tudo, por um desalinhamento entre a construção histórica da imagem do líder e o repertório da nova geração. “O Lula é uma marca muito ancorada em história e trajetória, mas essa geração não viveu isso. Então o valor simbólico se perde”, afirma. Segundo ela, há ainda uma mudança de percepção relevante: atributos antes associados a uma liderança transformadora podem hoje ser interpretados como parte do sistema, o que gera resistência em um público que tende a rejeitar o que considera excessivamente institucional.
Clara destaca que o problema não está apenas no conteúdo, mas principalmente na forma. “A geração Z não consome comunicação institucional. Ela consome conteúdo. A linguagem é mais direta, visual e emocional”, explica. Nesse contexto, canais dinâmicos, como vídeos curtos e plataformas guiadas por algoritmo, tornam-se essenciais, ao contrário da comunicação tradicional, mais controlada e formal, ainda predominante entre lideranças políticas e executivas.
Esse fenômeno, segundo a especialista, não é exclusivo do campo político. No ambiente corporativo, executivos que mantêm uma comunicação distante e genérica enfrentam o mesmo desafio de relevância. “Quem fala como instituição perde conexão. Quem se comunica como pessoa, com consistência, tende a performar melhor com essa geração”, analisa.
Para reduzir esse desalinhamento, Clara Laface aponta três caminhos estratégicos: adaptação de linguagem e formato, humanização da comunicação e presença direta nos canais onde a Geração Z já está. “É preciso traduzir o conteúdo sem simplificar demais, tornar acessível. Mostrar bastidores, dúvidas, processos. A geração Z confia mais em quem parece real do que em quem parece perfeito”, afirma.
Por fim, a especialista ressalta que o cenário vai além de uma questão de comunicação, trata-se de um choque cultural. “A geração Z se engaja com lideranças que falam na sua linguagem e dentro dos seus códigos. Sem essa adaptação, a liderança perde relevância, mesmo que o conteúdo seja consistente”, conclui.
Sobre Clara Laface
Consultora em posicionamento de marca pessoal, apoia líderes, executivos, empresários e profissionais em fases de crescimento, reposicionamento ou recolocação no mercado.
No ambiente corporativo, atua em comunicação interna e gestão de crise, com foco no alinhamento de mensagens, fortalecimento da cultura e engajamento de equipes. Ministra treinamentos e palestras sobre posicionamento profissional e comunicação. Foi VP de Marketing da AICI Brasil (2022–2024), é colunista do Portal Be News e docente na Comunica Escola de Comunicação e Imagem.