Ciclos da moda: estudo indica padrão de repetição e levanta debate sobre comportamento e contexto

Levantamento com mais de um século de imagens aponta recorrência de tendências e reforça a relação entre moda, sociedade e memória

Um levantamento conduzido pela Northwestern University analisou cerca de 37 mil imagens de vestuário feminino, abrangendo o período de 1869 até os dias atuais, e identificou padrões recorrentes no surgimento de tendências. A pesquisa, baseada em modelagem matemática, sustenta a chamada “regra dos 20 anos”, sugerindo que estilos reaparecem em intervalos semelhantes ao longo do tempo, ainda que adaptados às transformações de cada época.

Para a professora de Moda da ESAMC Jundiaí, Vitória Belini, essa lógica ajuda a compreender o comportamento das tendências atuais. “Esses elementos são revisitados com mudanças que refletem o comportamento de quem os veste hoje. Eles são reinterpretados para se encaixar na visão de mundo atual”, afirma.

Um dos fatores centrais desse movimento é a nostalgia. Segundo ela, o retorno de referências dos anos 2000, observado por volta de 2020, está ligado à tentativa de reviver experiências do passado. “Pessoas que viveram sua infância ou adolescência naquele período encontram na moda uma forma de acessar essas memórias, o que pode se intensificar em momentos de adversidade, como ocorreu durante a pandemia”, diz.

Além disso, a dinâmica das tendências também passa por ciclos de saturação e ruptura. Após a valorização de uma estética mais minimalista nos últimos anos, cresce o espaço para propostas mais expressivas. “Existe uma vontade de se diferenciar e de romper com o que estava dominante, o que abre caminho para o retorno de elementos mais marcantes”, explica.

A relação entre moda e contexto social também aparece como um ponto relevante. Em cenários de instabilidade, a moda pode assumir um papel de contraste ou até de resposta simbólica. “Elementos mais exagerados podem surgir como uma forma de escapismo ou até de fortalecimento individual diante de períodos de insegurança”, analisa.

Ela também observa movimentos em que a moda retoma referências de outras décadas para dialogar com questões atuais. “Há casos em que códigos visuais de períodos marcados por contestação social voltam a aparecer, não necessariamente dentro do ciclo de 20 anos, mas como uma forma de posicionamento”, afirma.

Nesse sentido, entender tendências envolve acompanhar não apenas o que aparece nas passarelas ou redes sociais, mas também o cenário mais amplo. “A moda reage diretamente ao que está acontecendo na sociedade, então é preciso olhar para além do universo fashion”, diz.

O estudo também ajuda a indicar possíveis direções para o setor. Entre elas, o avanço de discussões relacionadas à sustentabilidade, que vêm ganhando espaço de forma consistente. Para a professora, esse movimento tende a permanecer, influenciando tanto a criação quanto o consumo.

Para quem pretende atuar na área, a leitura desses padrões se torna uma ferramenta importante. “É fundamental observar comportamento, contexto e também as demandas do mercado, entendendo que a criação está diretamente ligada a esses fatores”, conclui.

Ciclos da moda: estudo indica padrão de repetição e levanta debate sobre comportamento e contexto

Levantamento com mais de um século de imagens aponta recorrência de tendências e reforça a relação entre moda, sociedade e memória

Um levantamento conduzido pela Northwestern University analisou cerca de 37 mil imagens de vestuário feminino, abrangendo o período de 1869 até os dias atuais, e identificou padrões recorrentes no surgimento de tendências. A pesquisa, baseada em modelagem matemática, sustenta a chamada “regra dos 20 anos”, sugerindo que estilos reaparecem em intervalos semelhantes ao longo do tempo, ainda que adaptados às transformações de cada época.

Para a professora de Moda da ESAMC Jundiaí, Vitória Belini, essa lógica ajuda a compreender o comportamento das tendências atuais. “Esses elementos são revisitados com mudanças que refletem o comportamento de quem os veste hoje. Eles são reinterpretados para se encaixar na visão de mundo atual”, afirma.

Um dos fatores centrais desse movimento é a nostalgia. Segundo ela, o retorno de referências dos anos 2000, observado por volta de 2020, está ligado à tentativa de reviver experiências do passado. “Pessoas que viveram sua infância ou adolescência naquele período encontram na moda uma forma de acessar essas memórias, o que pode se intensificar em momentos de adversidade, como ocorreu durante a pandemia”, diz.

Além disso, a dinâmica das tendências também passa por ciclos de saturação e ruptura. Após a valorização de uma estética mais minimalista nos últimos anos, cresce o espaço para propostas mais expressivas. “Existe uma vontade de se diferenciar e de romper com o que estava dominante, o que abre caminho para o retorno de elementos mais marcantes”, explica.

A relação entre moda e contexto social também aparece como um ponto relevante. Em cenários de instabilidade, a moda pode assumir um papel de contraste ou até de resposta simbólica. “Elementos mais exagerados podem surgir como uma forma de escapismo ou até de fortalecimento individual diante de períodos de insegurança”, analisa.

Ela também observa movimentos em que a moda retoma referências de outras décadas para dialogar com questões atuais. “Há casos em que códigos visuais de períodos marcados por contestação social voltam a aparecer, não necessariamente dentro do ciclo de 20 anos, mas como uma forma de posicionamento”, afirma.

Nesse sentido, entender tendências envolve acompanhar não apenas o que aparece nas passarelas ou redes sociais, mas também o cenário mais amplo. “A moda reage diretamente ao que está acontecendo na sociedade, então é preciso olhar para além do universo fashion”, diz.

O estudo também ajuda a indicar possíveis direções para o setor. Entre elas, o avanço de discussões relacionadas à sustentabilidade, que vêm ganhando espaço de forma consistente. Para a professora, esse movimento tende a permanecer, influenciando tanto a criação quanto o consumo.

Para quem pretende atuar na área, a leitura desses padrões se torna uma ferramenta importante. “É fundamental observar comportamento, contexto e também as demandas do mercado, entendendo que a criação está diretamente ligada a esses fatores”, conclui.

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