Copa do Mundo coloca coração do torcedor brasileiro em alerta, aponta estudo


Levantamento baseado nos últimos Mundiais mostra aumento de até 16% nas internações cardíacas durante jogos da Seleção

A emoção provocada pela Copa do Mundo pode representar um risco real para a saúde cardiovascular. Um levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP), com base nos últimos quatro mundiais, identificou aumento de até 16% nas internações por problemas cardíacos durante os jogos da Seleção Brasileira.

Segundo a cardiologista Fernanda Douradinho, partidas decisivas podem desencadear alterações importantes no organismo, principalmente em pessoas com predisposição para doenças cardiovasculares.

“Emoções intensas, como ansiedade, estresse e euforia durante jogos decisivos, podem provocar aumento importante da adrenalina no organismo. Em pessoas predispostas, principalmente quem já tem hipertensão, doença coronariana, arritmias ou histórico cardíaco, isso pode desencadear crises hipertensivas, arritmias, infarto e até AVC”, alerta.

De acordo com a especialista, um dos principais problemas é que muitos sintomas acabam sendo confundidos com a tensão natural da partida. “Dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações, tontura e desmaio são sinais de alerta importantes. Muitas pessoas confundem sintomas cardíacos com ansiedade do jogo, e isso pode atrasar o diagnóstico”, afirma.

Além da carga emocional, hábitos comuns durante o período da Copa também contribuem para o aumento dos riscos cardiovasculares. Consumo excessivo de álcool, alimentação pesada e noites mal dormidas podem potencializar os efeitos do estresse no organismo.

“Muitas vezes o problema não é apenas a emoção do jogo, mas o conjunto de fatores. O equilíbrio é a chave. É possível aproveitar a Copa com moderação, mantendo alimentação mais leve, hidratação adequada e evitando excessos”, destaca Fernanda.

A recomendação vale principalmente para pessoas com hipertensão, ansiedade ou histórico de doenças cardíacas. “O principal cuidado é manter o controle da saúde mesmo durante momentos de lazer. Eu sempre oriento meus pacientes a não interromperem medicações e evitarem exageros”, finaliza.

SantosPress

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