Doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte no Brasil e reforçam alerta para prevenção


Especialista aponta que falta de prevenção e piora no estilo de vida mantêm doenças do coração no topo das mortes no país

Mesmo com os avanços da medicina, as doenças cardiovasculares continuam liderando as causas de morte no Brasil, respondendo por cerca de 30% dos óbitos, segundo o Ministério da Saúde. O dado reforça um problema que vai além do tratamento: a prevenção ainda é insuficiente.

Para a médica Dra. Fernanda Douradinho, o cenário é resultado direto dessa falha. “Mesmo com grandes avanços no diagnóstico e no tratamento, as doenças cardiovasculares continuam liderando as mortes principalmente porque estamos tratando mais, mas prevenindo menos”, afirma.

O envelhecimento da população contribui, mas não explica tudo. Hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, estresse crônico e o aumento da obesidade têm pesado cada vez mais. “O estilo de vida da população piorou e isso pesa muito”, destaca.

Outro ponto crítico é o caráter silencioso dessas doenças. “A hipertensão pode evoluir por anos sem sintomas, e quando o paciente descobre, muitas vezes já houve algum dano”, alerta a especialista.

A médica também chama atenção para a mudança no perfil dos pacientes. Casos têm surgido mais cedo e atingido mais mulheres. “Estamos observando pacientes mais jovens com infarto e aumento de doenças cardiovasculares em mulheres, especialmente após a menopausa”, diz.

Segundo ela, ainda há dificuldade no diagnóstico feminino. “Os sintomas muitas vezes são atípicos, o que pode atrasar o reconhecimento”, explica. Além disso, o acúmulo de fatores de risco agrava o quadro. “O paciente de hoje reúne múltiplos riscos ao mesmo tempo, o que eleva o risco global.”

Apesar do cenário, a prevenção segue sendo altamente eficaz. “Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem, reduzir o estresse, não fumar e fazer check-ups podem reduzir em mais de 80% o risco de eventos cardiovasculares”, afirma.

Para a especialista, a mensagem é direta. “Prevenção ainda é o melhor tratamento. Muitas pessoas só procuram ajuda depois de um infarto, mas a maioria desses casos pode ser evitada.”

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