China amplia participação nas compras externas do Brasil e consolida posição como principal origem das importações
As importações brasileiras de produtos chineses atingiram um patamar recorde em 2025, reforçando a centralidade da China no comércio exterior do país. Dados do governo federal indicam que, no acumulado do ano, o Brasil importou cerca de US$35,7 bilhões em produtos originários da China, volume que representou aproximadamente 26% de todas as importações brasileiras, a maior participação já registrada. O crescimento ocorre mesmo em um cenário de maior cautela econômica e aumento da atenção do governo sobre os impactos desse fluxo na indústria nacional.
O avanço acontece em um contexto de transformações no comércio internacional, marcado por reorganização das cadeias globais, disputas tarifárias e anúncios recentes do governo chinês sobre a redução de tarifas de importação para centenas de produtos a partir de 2026. Esse ambiente tem impulsionado uma revisão gradual da percepção sobre produtos chineses, historicamente associados apenas ao baixo custo, mas cada vez mais integrados a estratégias globais de produção, escala e eficiência.
No Brasil, a ampliação das importações ocorre paralelamente a um ambiente interno de incertezas, influenciado por calendário eleitoral, eventos internacionais e concentração de feriados, fatores que levaram parte do empresariado a adotar uma postura mais conservadora nas decisões de investimento.
É nesse cenário que a China Link, empresa especializada em importação estratégica e negócios com a China, projeta crescimento de 60% em faturamento em 2026, contrariando a tendência de desaceleração observada em alguns segmentos do mercado. “Ano difícil não é desculpa para quem pensa global. No fim as pessoas vão continuar importando, a diferença é quem vai sair na frente quando o mercado destravar”, afirma Lincoln Fracari, CEO da empresa.

Entre 2024 e 2025, a China Link registrou crescimento de 40% em faturamento, mesmo com a redução de seu quadro de colaboradores, que passou de 160 para 145 profissionais. Segundo Fracari, o resultado foi sustentado por mudanças estruturais na operação. “Nós crescemos nessa constância e tamanho sem cortar qualidade, a única coisa que fizemos foi parar de operar de forma tão manual. Hoje, a IA se tornou uma ferramenta de gestão dentro da empresa, não só um hype”, diz.
Para a empresa, a leitura do mercado em 2026 é de ajuste, e não de paralisação das importações. “O erro é confundir cautela com paralisia. Quem espera cenário perfeito vai pagar mais caro depois, em dólar, em concorrência e em oportunidade perdida”, avalia o CEO.
A aposta da China Link é que o comércio internacional segue uma lógica própria, menos dependente do calendário político doméstico, e que empresas estruturadas conseguem transformar períodos de hesitação do mercado em vantagem competitiva. A estratégia da companhia inclui a ampliação da atuação institucional, iniciativas de educação empresarial e a abertura de uma unidade física em São Paulo, acompanhando o fortalecimento da relação comercial entre Brasil e China.