Inscrições para aulas gratuitas do Projeto Bruto Fruto estão abertas a partir de julho; iniciativa utiliza um dos símbolos da cultura santista para promover autoestima, disciplina e novas perspectivas de futuro para crianças e adolescentes
Poucas cidades brasileiras têm uma relação tão forte com o skate quanto Santos. A modalidade ajudou a moldar a identidade cultural do município, ganhou força nas ruas, inspirou gerações por meio do legado de Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr., e consolidou a cidade como uma das principais referências nacionais do esporte. Hoje, Santos abriga a sede da Confederação Brasileira de Skate (CBSk), um centro de treinamento da seleção brasileira e diversas pistas espalhadas pelos bairros. Agora, essa história ganha um novo capítulo por meio de um projeto social que aposta no skate como ferramenta de transformação.
Com inscrições abertas a partir de julho, o Projeto Bruto Fruto oferece aulas gratuitas para crianças e adolescentes na UME Colégio Santista, utilizando a modalidade para promover muito mais do que a prática esportiva. Na pista, o objetivo é fortalecer autoestima, autonomia, disciplina e convivência, criando oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade social ampliarem seus horizontes.
No Bruto Fruto, cada manobra representa uma conquista que vai além do aspecto técnico. A proposta respeita o tempo de aprendizado de cada participante e transforma pequenos avanços em importantes vitórias pessoais.
“O skate permite que cada criança evolua no seu próprio ritmo, respeitando seus limites e descobrindo seu potencial. No Bruto Fruto, entendemos que cada manobra conquistada representa muito mais do que um avanço técnico: é a construção da autoestima, da autonomia e da confiança. O jovem aprende que sua história não precisa ser definida pelas dificuldades que enfrenta, mas pelas escolhas que faz todos os dias”, afirma Tatiana Bitencourt Pinho, idealizadora e coordenadora do projeto.
Ao longo dos anos, a iniciativa acompanhou a transformação de inúmeros participantes que chegaram tímidos, inseguros ou com dificuldades de convivência. Sem expor histórias individuais, Tatiana conta que diversos jovens passaram a apresentar melhor desempenho escolar, fortaleceram os vínculos familiares e desenvolveram maior confiança em si mesmos a partir da vivência proporcionada pelo esporte.
Uma das principais lições do skate nasce justamente de algo inevitável para quem sobe na prancha: cair.
“No skate, cair faz parte do aprendizado. Isso ensina uma das maiores lições para a vida: errar não significa fracassar. Cada tentativa fortalece a persistência, a paciência e a capacidade de enfrentar desafios sem desistir. Os jovens aprendem que a evolução acontece com dedicação e constância, valores que carregam para a escola, para a família e para a vida profissional”, explica.
Desde que passou a integrar o programa olímpico, o skate também ampliou o repertório de sonhos de muitos jovens. Se antes era visto apenas como lazer, hoje a modalidade é percebida como um caminho capaz de abrir portas para oportunidades esportivas, educacionais e profissionais.
“O reconhecimento do skate como modalidade olímpica mostrou que um esporte que nasceu nas ruas pode abrir portas para oportunidades profissionais, educacionais e culturais. Isso amplia o horizonte das crianças e adolescentes, que passam a enxergar novas possibilidades de futuro, seja como atletas, educadores, produtores culturais ou cidadãos mais preparados para construir seus próprios caminhos”, destaca a coordenadora.
Para Tatiana, entretanto, o maior impacto acontece longe dos pódios.
“O que muitas pessoas não veem é que o skate é uma poderosa ferramenta de educação social. Ele desenvolve responsabilidade, respeito, disciplina, autocontrole, convivência e solidariedade. Na pista, um incentiva o outro, compartilha conhecimento e comemora cada conquista coletiva. O skate ensina valores que ultrapassam qualquer manobra.”
As atividades acontecem no contraturno escolar, oferecendo um ambiente seguro onde crianças e adolescentes ocupam o tempo livre com esporte, fortalecem vínculos com educadores, colegas e familiares e encontram uma rede de proteção que faz diferença em regiões de maior vulnerabilidade social.
Outro destaque do Bruto Fruto é o incentivo à participação feminina. O projeto abriga a segunda escola de skate feminino do Brasil e trabalha para ampliar a presença das meninas em uma modalidade historicamente marcada pela predominância masculina.
“Queremos que meninas e meninos tenham as mesmas oportunidades de aprender, evoluir e ocupar todos os espaços. Ver mais meninas sobre o skate também inspira outras a acreditarem que elas pertencem ali”, afirma Tatiana.
Para a coordenadora, uma única cena resume o propósito do projeto: uma criança tenta executar uma manobra, cai repetidas vezes, levanta, recebe o incentivo dos colegas e, finalmente, consegue completar o movimento. A comemoração é coletiva.
“Essa cena resume a essência do projeto: ninguém cresce sozinho. A conquista individual se transforma em vitória coletiva, mostrando que, com apoio, persistência e oportunidades, qualquer jovem pode superar seus desafios e construir um futuro diferente.”
Serviço – Projeto Bruto Fruto | Skate
Local: UME Colégio Santista (Rua Sete de Setembro, 34 – Vila Nova – Santos/SP)
Dias: Quartas e sextas-feiras
Horário: 17h às 20h
Atividade gratuita
Inscrições abertas: no Projeto Bruto Fruto ou via WhatsApp (13) 98212-1876