Mitos sobre o coração: cardiologista esclarece dúvidas que ainda confundem a população

No mês do Dia do Cardiologista, Fernanda Douradinho explica cinco crenças comuns sobre infarto, hipertensão, saúde cardiovascular feminina, prevenção em jovens e atividade física

Cerca de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de doenças cardiovasculares, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O número representa mais de 1,1 mil mortes por dia, evidenciando a dimensão dos problemas que afetam o coração e reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A entidade aponta ainda que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país.

Apesar da dimensão do problema, dúvidas e informações equivocadas sobre a saúde cardiovascular ainda fazem parte do cotidiano da população. Aproveitando o Dia do Cardiologista, celebrado em 14 de agosto, a cardiologista Fernanda Douradinho esclarece cinco mitos que envolvem a saúde cardiovascular e chama atenção para a importância de não esperar pelo surgimento de sintomas para cuidar do coração.

Dor no peito sempre é sinal de infarto?
Mito.

Nem toda dor no peito é causada por um infarto. O sintoma pode ter origem muscular, pulmonar, gastrointestinal, como no refluxo, ou até emocional. No entanto, alguns sinais exigem atenção imediata.

“Toda dor no peito intensa, persistente ou acompanhada de falta de ar, suor frio, náuseas ou irradiação para braço, mandíbula ou costas deve ser avaliada imediatamente”, comenta Fernanda.

A especialista explica que, embora existam diferentes causas para a dor torácica, a presença de determinados sintomas associados pode indicar uma situação que necessita de atendimento médico imediato.

Pressão alta sempre causa sintomas?
Mito.

A hipertensão é conhecida como uma doença silenciosa porque, na maioria das vezes, não provoca sintomas. Muitas pessoas descobrem que têm pressão alta apenas durante consultas ou quando já apresentam alguma complicação.

“Muitas pessoas só descobrem que têm pressão alta durante consultas ou após complicações, como infarto, AVC ou insuficiência renal. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental”, alerta a doutora.

A aferição regular da pressão arterial é uma das formas de identificar a hipertensão precocemente e possibilitar o acompanhamento adequado.

Mulheres têm menos risco de infarto do que homens?
Mito.

Antes da menopausa, as mulheres costumam apresentar menor risco cardiovascular devido ao efeito protetor dos hormônios femininos. Após a menopausa, porém, esse risco aumenta significativamente e pode se aproximar do observado entre os homens.

Além disso, os sinais de um infarto podem se manifestar de maneira diferente nas mulheres, o que pode dificultar o reconhecimento do quadro.

“O infarto na mulher pode se manifestar de forma diferente, com sintomas como cansaço intenso, falta de ar, náuseas e dor nas costas, o que pode atrasar o diagnóstico”, explica a especialista.

Quem é jovem não precisa se preocupar com doenças do coração?
Mito.

Embora o risco cardiovascular aumente com a idade, pessoas jovens também podem desenvolver doenças cardiovasculares, especialmente quando apresentam fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou histórico familiar.

A cardiologista explica que a prevenção deve começar antes do aparecimento de problemas.

A identificação dos fatores de risco e a adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida podem contribuir para reduzir a possibilidade de complicações cardiovasculares no futuro.

Quem pratica atividade física não precisa fazer acompanhamento com um cardiologista?
Mito.

A prática regular de atividade física é uma das principais aliadas da saúde cardiovascular, mas não substitui o acompanhamento médico.

“A prática de atividade física é uma das melhores formas de proteger o coração, mas ela não substitui o acompanhamento médico”, pontua.

De acordo com a especialista, consultas periódicas ajudam a identificar fatores de risco que muitas vezes não provocam sintomas e permitem um tratamento precoce. A avaliação também pode contribuir para uma prática de exercícios mais segura, principalmente para quem possui fatores de risco ou pretende iniciar atividades de maior intensidade.

Os cinco exemplos mostram que cuidar do coração vai além de observar sintomas. Hipertensão, colesterol elevado e outros fatores de risco podem permanecer silenciosos, enquanto a idade, o histórico familiar e os hábitos de vida também influenciam a saúde cardiovascular.

Sobre Fernanda Douradinho
Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (Centro Universitário Lusíadas). Realizou residência em Clínica Médica (2008–2010) e Cardiologia (2010–2012) no Hospital Ana Costa, em Santos.

Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atualmente, atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, e também coordenadora da UTI cardiológica do Hospital Guilherme Álvaro, professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém seu consultório de cardiologia na Av. Ana Costa, em Santos.

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