O significado do primeiro kimono: quando meninas passam a se enxergar como atletas

Mais do que um uniforme, o primeiro equipamento esportivo próprio representa pertencimento, autoestima e novas perspectivas para as participantes do projeto Mulheres que Lutam

A cerimônia de entrega dos materiais esportivos do projeto Mulheres que Lutam mostra o impacto contínuo na rotina das 50 meninas atendidas pela iniciativa. Mais do que um kit composto por kimono, squeeze, mochila e outros materiais, os itens simbolizam uma transformação silenciosa, mas profunda: a passagem de alunas para atletas.

Para muitas participantes, o kimono recebido foi o primeiro equipamento esportivo próprio. Um item que carrega significado dentro e fora dos tatames, reforçando o sentimento de pertencimento a uma modalidade esportiva e a um projeto que acredita em seu potencial.

A importância desse momento ficou evidente durante a cerimônia de entrega dos materiais, quando a coordenadora do projeto e técnica da Seleção Brasileira Feminina de Judô, Andrea Berti, se emocionou ao falar sobre o significado do uniforme para as meninas.

“O judogi tem uma tradição muito forte e, para mim, também representa igualdade. Ver todas elas uniformizadas significa enxergar cada uma com sua individualidade, mas com os mesmos direitos e oportunidades. É um símbolo muito importante porque mostra que todas pertencem a este espaço”, destacou.

Segundo Andrea, o uniforme vai além da função prática e ajuda a fortalecer a autoestima e o compromisso das participantes com o esporte. Ao vestirem o kimono, as meninas passam a se reconhecer como parte de uma equipe, de uma modalidade e de uma trajetória de aprendizado construída por meio da disciplina, do respeito e da dedicação.

O impacto também é percebido pelas famílias. Mãe da participante Alice Beatriz, Alessandra Andrade lembra da emoção ao acompanhar a entrega dos materiais.

“Foi uma oportunidade muito especial. O esporte muda a vida e eu vejo o quanto minha filha fica feliz em participar do projeto. Foi um momento muito emocionante para nós”, afirma.

Viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, com patrocínio da Ecorodovias e da Brasil Terminal Portuário (BTP), a iniciativa busca ampliar o acesso de meninas ao judô e contribuir para o desenvolvimento de valores que acompanham as participantes para além das atividades esportivas.

“Apoiar este projeto é fortalecer a relação porto-cidade e acreditar no esporte como vetor de desenvolvimento. A iniciativa contribui para a inserção de mulheres nessa modalidade olímpica e ensina valores essenciais para que essas crianças e jovens exerçam um papel importante na construção de um mundo mais diverso e inclusivo”, destaca Cláudio Oliveira, diretor-presidente da BTP.

Ao proporcionar acesso ao esporte e condições adequadas para a prática da modalidade, o Mulheres que Lutam segue formando não apenas judocas, mas meninas mais confiantes, determinadas e conscientes de seu próprio valor. E, para muitas delas, tudo isso começa com um gesto simples: vestir o primeiro kimono.

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