Especialista conscientiza crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade, condição associada ao aumento de casos de diabetes, colesterol alto e outras doenças precoces
Cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros entre 5 e 19 anos vivem com sobrepeso ou obesidade, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026. O número representa quase um em cada cinco jovens nessa faixa etária e preocupa especialistas pelos impactos cada vez mais precoces na saúde, como hipertensão, diabetes, alterações no colesterol e doenças hepáticas.
Para a infectologista pediátrica Carolina Brites, o cenário brasileiro acompanha uma tendência observada em diversos países em desenvolvimento e está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida da população. “Não é só a questão da vulnerabilidade social, mas muito mais os facilitadores que a vida contemporânea nos traz. Na correria do dia a dia, produtos mais fáceis de consumir acabam entrando com muito mais frequência na rotina de todos nós, principalmente das crianças”, explica. Segundo a médica, sem uma mudança de comportamento, a tendência é que os índices continuem crescendo nos próximos anos.
Os reflexos desse quadro já são sentidos nos consultórios. De acordo com Carolina, o aumento do sedentarismo infantil, impulsionado pelo excesso de tempo em telas e pela redução das atividades ao ar livre, tem contribuído para o surgimento de doenças que antes eram mais comuns na vida adulta. “A criança hoje brinca menos, corre menos e fica mais no eletrônico. Somado ao consumo excessivo de alimentos industrializados, isso favorece o aparecimento de colesterol alto, aumento dos triglicérides e diabetes precoce”, afirma.
Os hábitos construídos na infância tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Por isso, investir em prevenção desde os primeiros anos é fundamental para reduzir problemas futuros. Quanto mais pensarmos em prevenção e saúde nas crianças, mais conseguiremos ter adultos saudáveis lá na frente. A rotina alimentar e a prática de atividade física começam muito cedo e são determinantes para a saúde futura.
Nesse processo, a participação da família é considerada indispensável. A criança não é o que a gente fala, é o que a gente faz. Ela é reflexo do dia a dia. Não adianta querer que ela se alimente de forma saudável se a família não mudar seus hábitos. É importante incluir as crianças em feiras, no contato com frutas e verduras, estimulando a experimentação e a construção de uma relação positiva com os alimentos.
Apesar dos desafios, a médica acredita que a conscientização constante pode trazer resultados duradouros. “O grande desafio da pediatria é justamente conscientizar os pais. É um trabalho diário, de formiguinha, porque não se muda um estilo de vida da noite para o dia. Mas quando essa orientação começa cedo, os resultados aparecem e o sucesso é muito maior”, conclui.