Baixada Santista encerra 2025 com mais de 14 mil casos prováveis e especialistas alertam para cuidados redobrados com as crianças
Com a chegada do verão de 2026, o risco de avanço da dengue volta a preocupar profissionais de saúde e autoridades sanitárias. As altas temperaturas, combinadas com o aumento das chuvas e o acúmulo de água em recipientes ao ar livre, intensificam a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o que historicamente faz com que os primeiros meses do ano concentrem a maior parte das transmissões.
Segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, a Baixada Santista registrou ao longo de 2025 14.717 casos prováveis de dengue, 22 óbitos confirmados e 2 mortes ainda em investigação, números que reforçam a necessidade de atenção redobrada para o início de 2026.
A infectologista pediátrica Dra. Carolina Brites explica que, no verão, as doenças virais tendem a circular com mais intensidade, o que pode dificultar a identificação dos primeiros sinais da dengue, especialmente em crianças. Ela destaca que a doença pode ser confundida com gripes e resfriados, mas costuma apresentar febre alta, irritabilidade, sonolência, manchas vermelhas na pele e falta de apetite. “Se a criança estiver na época de epidemia e apresentar febre alta acompanhada dessas manchas avermelhadas, é importante procurar atendimento médico o mais breve possível”, orienta.
Para reduzir os riscos no período mais crítico do ano, a especialista reforça que a prevenção deve ser contínua. Eliminar criadouros, manter recipientes de água sempre cobertos, descartar o lixo corretamente, limpar calhas e utilizar repelente em áreas expostas são medidas essenciais dentro e fora de casa. “Mesmo quando os casos ainda não são altos, já precisamos estar atentos. Quanto mais cedo começarmos a cuidar do ambiente, menor a chance de surtos e endemias”, afirma.
A vacinação também deve ganhar destaque em 2026 como estratégia complementar de proteção. De acordo com a infectologista, o imunizante está disponível no serviço público para adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária considerada de maior risco para complicações, e pode ser aplicado em clínicas privadas em pessoas de 4 a 60 anos. “A vacina veio para agregar e ajudar muito na prevenção. Ela não substitui o controle dos criadouros, mas reduz o risco de formas graves da doença”, explica, lembrando que uma nova vacina contra a dengue foi aprovada recentemente, ampliando o arsenal de proteção.
Caso a criança apresente suspeita de dengue, a orientação da especialista é priorizar hidratação, repouso e observação atenta aos sinais de gravidade, como dor abdominal intensa, irritabilidade, sangramentos, inapetência ou piora do estado geral. “Na dúvida, mesmo sem sinais de alerta, é sempre melhor procurar um serviço de saúde para avaliação. A orientação precoce pode evitar complicações”, reforça.
Com o país iniciando 2026 após um ano de números expressivos e entrando novamente no período de maior risco, o alerta é claro: prevenir, vacinar e observar os sinais são as principais ferramentas para evitar que a dengue avance entre as crianças neste verão. Além do uso de repelente e do cuidado em áreas externas, ações simples no dia a dia continuam sendo a principal forma de impedir a proliferação do mosquito. Entre as medidas mais importantes estão:
- Eliminar pontos de água parada, como vasos, pneus, garrafas e calhas, já que o mosquito se aproveita de qualquer acúmulo de água limpa.
- Manter caixas d’água, tonéis e barris sempre bem fechados e, quando possível, protegidos com telas.
- Higienizar frequentemente os potes de água dos animais de estimação com bucha e sabão, evitando que se tornem locais de reprodução.
- Acondicionar o lixo de forma adequada, sem deixá-lo exposto ou acumulado em áreas abertas, para impedir que recipientes descartados acumulem água.
- Armazenar pneus em locais cobertos ou realizar o descarte correto, além de guardar garrafas sempre viradas para baixo.
Sobre Carolina Brites
Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.
Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.
Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965