Infectologista destaca a importância do diagnóstico precoce, prevenção e ampliação das estratégias de saúde pública
Em 2026, o cenário epidemiológico da mpox no Brasil tem exigido atenção das autoridades de saúde e dos profissionais da área. Dados oficiais indicam que o estado de São Paulo já registrou 44 casos confirmados da doença neste ano, com um total de 171 notificações em análise até o momento, incluindo casos confirmados, suspeitos e descartados.
Além disso, a capital Porto Alegre confirmou o primeiro caso de mpox em 2026, com a infecção atribuída à exposição fora do estado do Rio Grande do Sul, segundo a vigilância epidemiológica local.
No contexto internacional, a Organização Mundial da Saúde confirmou a circulação de uma nova variante recombinante do vírus mpox, detectada no Reino Unido e na Índia. Essa variante é formada pela combinação genética de duas linhagens (clados 1b e 2b) e, até o momento, foram documentados apenas dois casos globais, ambos com quadro clínico leve.
Diante dessas informações, a infectologista pediátrica Dra. Carolina Brites ressalta que a mpox continua sendo uma condição que demanda vigilância constante, embora os casos em 2026 tenham apresentado predominância de quadros leves ou moderados. “A mpox é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato direto com lesões de pele, objetos contaminados ou gotículas em situações de proximidade prolongada. Observamos os casos confirmados no estado de São Paulo e o primeiro caso em Porto Alegre — o que reforça que a circulação do vírus ainda acontece, mesmo com números relativamente menores comparados a picos anteriores”, explica.
A especialista salienta que, apesar do número de casos ainda não indicar um surto generalizado no país, a confirmação de uma nova variante pela OMS exige cautela e reforço do monitoramento epidemiológico. “A identificação de uma nova cepa, mesmo que apenas em casos isolados fora do Brasil, reforça a necessidade de manter a vigilância laboratorial, o sequenciamento genômico e a notificação rápida dos casos. Isso nos permite acompanhar eventuais mudanças no comportamento do vírus e adaptar estratégias de resposta”, afirma.
Sobre a vacinação, Dra. Carolina lembra que as imunizações disponíveis contra a mpox continuam voltadas para grupos com maior risco de exposição, conforme definição do Ministério da Saúde. Ela reforça que, além da vacinação, as melhores medidas de prevenção incluem evitar contato direto com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais e procurar atendimento médico diante de sinais compatíveis com a infecção.
“A conscientização da população e a pronta resposta dos serviços de saúde são fundamentais. A identificação precoce de casos e a notificação correta permitem uma resposta mais eficaz e contribuem para a interrupção de possíveis cadeias de transmissão”, completa a infectologista.
As autoridades brasileiras de saúde seguem acompanhando a situação epidemiológica da mpox e mantêm orientações de vigilância contínua, diagnóstico precoce e ações educativas para profissionais e cidadãos. A atuação coordenada entre os serviços de saúde é essencial para garantir uma resposta eficaz diante dos casos confirmados em 2026 e da circulação da nova variante, minimizando impactos à saúde pública.