Iluminação inadequada pode comprometer produtividade de quem trabalha em home office

Com o modelo híbrido consolidado e o bem-estar ganhando espaço nas estratégias das empresas, especialista alerta sobre a importância da qualidade da luz

Mesmo após a retomada dos escritórios, o trabalho remoto e híbrido continua fazendo parte da rotina de milhões de brasileiros. Um levantamento feito pela CartaCapital aponta que o modelo híbrido lidera entre as empresas analisadas em 2026. Ao mesmo tempo, pesquisa da FIA em parceria com a FEA-USP  indica que a maioria dos profissionais percebe ganhos no trabalho remoto: 94% afirmam que o home office melhorou suas vidas, 91% relatam produtividade igual ou superior e 88% apontam manutenção ou melhora da qualidade do trabalho.

No entanto, um fator ainda pouco discutido pode estar impactando diretamente esse desempenho: a qualidade da iluminação nos ambientes de trabalho. Relatório global da Sodexo, divulgado em março de 2026, mostra que fatores como iluminação, qualidade do ar, ventilação e acústica influenciam diretamente fadiga, estresse, burnout e produtividade. O estudo cita ainda perdas globais estimadas em US$438 bilhões relacionadas à queda de engajamento e problemas de saúde ocupacional.

Especialista em iluminação saudável, Adriana Tedesco explica que a luz elétrica está o tempo todo impactando, seja de forma negativa ou de forma positiva. “Se projetada de forma errada, a luz pode deixar o organismo dos usuários vulneráveis, atrapalhando na produtividade, no foco, na disposição para o trabalho de uma forma geral. Além disso, pode causar irritabilidade e desconfortos visuais como coceira, lacrimejo, vermelhidão, dor de cabeça e náuseas”.

Em um ambiente de Home Office, quanto mais incidência de luz natural, mais saudável  nesse aspecto ele fica. Porém, é preciso estar atento aos possíveis ofuscamentos que esta luz pode causar. Isso tudo influencia na hora de montar o projeto. “Normalmente avaliamos a forma que a luz natural se comporta no ambiente e completamos com a luz elétrica de Led, preferencialmente de forma difusa, bem distribuída no ambiente, para eliminar sombras e contrastes, respeitando as normativas que nos indicam quantidades de lux para cada atividade de trabalho e ajustamos a temperatura de cor ideal para cada rotina”, revela Adriana.

É importante começar sempre pelo posicionamento da mesa, pensando em aproveitar ao máximo a emissão de luz natural. Preferencialmente próxima e de maneira perpendicular à uma janela. Assim, é possível garantir um organismo mais equilibrado numa jornada de trabalho, diminuindo os impactos da luz artificial na saúde ocular, como fadiga visual e todos os outros problemas causados na fisiologia humana em decorrência do uso inadequado da luz elétrica.

Se o trabalhador estende seu trabalho no período noturno, o ideal é que a luz deste Home Office mude de cenário, de forma a não interferir na fisiologia noturna. “Não podemos deixar haver a diminuição da produção do hormônio melatonina, que ao longo do tempo pode trazer consequências em relação a qualidade do sono. Nessa hora a temperatura de cor precisa ser mais baixa, ou seja, mais amarelinha e se necessário utilizar alguns recursos como o óculos bloqueador de espectro de luz azul, emitido pelas telas de tablets, computadores e celulares, muito prejudiciais à saúde à noite”, explica a especialista.

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