A partir de agora, a corrida eleitoral começa para valer. Este ano, os brasileiros vão às urnas para escolher quem vai ocupar as cadeiras do Legislativo e do Executivo pelos próximos quatro anos. É aquele momento em que os candidatos usam todas as suas armas para chamar a atenção e, acima de tudo, conquistar a confiança do eleitor. O problema é que a grande maioria deixa para se preparar só a poucos meses do pleito. Uma péssima decisão para quem precisa desenvolver uma marca pessoal sólida.
Vamos aos fatos. Pesquisas internacionais mostram que a confiança interpessoal do brasileiro está entre as mais baixas do mundo. A gente confia muito pouco uns nos outros. E, quando o assunto é política, o cenário fica ainda pior: a percepção sobre a classe política é dominada pelo ceticismo e por uma forte rejeição. Algo que, convenhamos, não surgiu do nada.
Escândalos de corrupção, serviços públicos ruins, privilégios, promessas vazias e sucessivas crises institucionais alimentaram essa desconfiança ao longo das últimas décadas. Com isso, os bons políticos acabam pagando pelos maus, precisando trabalhar o dobro para provar que não fazem parte do mesmo barco. É justamente aí que o posicionamento de marca vira uma necessidade.
O primeiro passo é fazer com que ideias, trajetória e atitudes contem a mesma história. Em outras palavras: é preciso ter coerência. A coerência elimina ruídos na cabeça do eleitor e deixa claro quem é aquele candidato, quais valores guiam suas decisões e o que dá para esperar do seu mandato. É ela que sustenta uma postura firme — o que, diga-se de passagem, não tem a ver com falar mais alto ou andar de ombros largos.
Postura firme é não negociar o inegociável. É saber quais são seus valores e mantê-los de pé, mesmo quando o preço a pagar for alto. É defender uma causa não por conveniência do momento ou por mero cálculo político. Muitos políticos perdem a credibilidade exatamente quando seus interesses pessoais passam por cima daquilo que dizem defender.
Outro ativo indispensável é o capital relacional. Alianças feitas da noite para o dia só para ganhar eleição cheiram a oportunismo. O eleitor pode até não acompanhar os bastidores, mas percebe na hora quando certas amizades só aparecem em ano eleitoral e somem no dia seguinte. Relações de verdade resistem ao tempo.
E o mesmo vale para a relação com a população. Tem candidato que se multiplica nas ruas, nas redes e nos eventos durante a campanha, mas desaparece assim que toma posse. O ponto é que confiança não se constrói em três meses. Ela exige presença constante, prestação de contas, escuta real e disposição para conversar mesmo quando não há nenhum voto em jogo.
Outro erro clássico é adotar um estilo de comunicação que não combina em nada com quem o candidato é de verdade. Na fogueira para se conectar com públicos específicos — especialmente a tão comentada Geração Z —, muitos começam a forçar gírias e comportamentos totalmente fora de tom. O resultado costuma ser desastroso: soa falso e, no bom português, fica ridículo. E ninguém confia em quem está claramente interpretando um personagem.
Além de tudo isso, construir uma marca forte exige coragem para desagradar. Nenhum líder consegue defender prioridades, tomar decisões difíceis e alocar recursos sem contrariar alguém. Tentar agradar todo mundo só dilui a própria identidade.
Mas uma marca forte, por si só, não resolve tudo. O seu propósito precisa continuar claro. Aristóteles já dizia, lá no século IV a.C., que a verdadeira finalidade da política é promover o bem-estar na pólis. A confiança nasce quando o eleitor enxerga um alinhamento real entre o que o candidato fala, o que ele faz e o seu compromisso genuíno com o bem comum.