Especialista analisa estudo que reforça os benefícios da musculação para a saúde cardiovascular.
A musculação ganhou um novo respaldo científico na prevenção das doenças cardiovasculares. Um estudo recente publicado na revista Medicine & Science in Sports &Exercise identificou que o treinamento de força pode desacelerar o envelhecimento do coração em mulheres idosas, resultado que amplia as evidências sobre os benefícios da modalidade para além do fortalecimento muscular.
A pesquisa mostra que a prática regular de musculação está associada à preservação da função cardiovascular durante o envelhecimento, reduzindo alterações que normalmente ocorrem com o avanço da idade e aumentam o risco de doenças cardíacas.
Segundo a cardiologista Dra. Fernanda Douradinho, o envelhecimento do sistema cardiovascular provoca mudanças estruturais e funcionais que comprometem a eficiência do coração ao longo dos anos.
“O envelhecimento cardíaco está relacionado ao aumento da rigidez do músculo cardíaco e das artérias, à redução da capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo e à perda progressiva da aptidão física. A musculação ajuda a minimizar essas alterações porque melhora a função dos vasos sanguíneos, reduz a inflamação crônica, preserva a massa muscular e favorece um melhor controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, fatores diretamente relacionados à saúde cardiovascular.”
Os resultados reforçam uma mudança na abordagem da medicina esportiva e da cardiologia. Se antes os exercícios aeróbicos eram considerados a principal estratégia para proteger o coração, hoje as diretrizes das principais sociedades médicas recomendam que o treinamento de força também faça parte da rotina de atividade física.
“A musculação e os exercícios aeróbicos não competem. Eles exercem funções diferentes e complementares. Enquanto os exercícios aeróbicos melhoram a capacidade cardiorrespiratória e reduzem o risco de infarto e AVC, a musculação aumenta a força muscular, melhora a sensibilidade à insulina, auxilia no controle da pressão arterial e ajuda a preservar a massa óssea e muscular durante o envelhecimento”, afirma a especialista.
Para pacientes com hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado ou histórico de doenças cardiovasculares, a recomendação é que a prática seja iniciada somente após avaliação médica e com treinamento individualizado.
De acordo com a cardiologista, quando bem orientada, a musculação é considerada segura inclusive para a maior parte dos pacientes cardiológicos.
“Na maioria dos pacientes, a musculação pode ser incorporada ao tratamento e à prevenção das doenças cardiovasculares, desde que respeite as condições clínicas e seja acompanhada por profissionais habilitados.”
Na avaliação da especialista, o principal avanço trazido pelo estudo é reforçar que o treinamento de força deixou de ser visto apenas como uma estratégia voltada à estética ou ao ganho de massa muscular.
“As evidências mostram que o fortalecimento muscular também contribui para proteger o coração, preservar a capacidade funcional e promover um envelhecimento mais saudável. O treinamento de força passou a ocupar um papel importante dentro da prevenção cardiovascular.”
Segundo a médica, outro aspecto relevante é que os benefícios podem ser observados mesmo quando a prática é iniciada após os 60 anos, desde que haja regularidade e acompanhamento profissional.